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Saturday, October 2, 2010

A Etica nas Religioes Brazileiras-

Fonte: Orayeye.spaces.live.com

A Ética nas Religiões Brasileiras
(Palestra apresentada no 1º Congresso de Cultura Afro-Brasileira,
Uberlândia, MG, Set./1999)Toy Vódunnon Francelino de Shapanan )
Temos que ter muito claro que para falarmos de ética dentro de uma determinada
 religião o primeiro impulso que devemos ter é de fazermos uma separação entre o 
que se entende por bem e mal.
Ao falarmos da religião de Umbanda e das religiões Afro-brasileiras ou afro-descendentes
 como preferem alguns, não podemos nos envolver com conceitos cristãos de pecado,
 haja visto não fazer parte de nosso universo religioso.Estas religiões, desde que existem, 
têm normas que lhes norteiam mas que nem sempre são do conhecimento e observância
 de seus sacerdotes, pois cada Babalorixá /Iyalorixá ou Dirigente Espiritual cuida de 
colocar suas próprias normas dentro de suas Casas.
Isto ocorre até porque não temos um único Mandatário Supremo, 
todos são supremos em seus Axés. Porém, isto não impossibilita 
que todos se unam para zelar pelos "Códigos de Ética" que sempre existiram,
 muito embora a idéia é que só agora estamos criando essas normas.
Ocorre que para isto todos somos chamados a observar e cumprir com essas posturas,
 passarmos para nossos filhos e simpatizantes aí já estaremos ajudando e muito para 
que a religião tenha seu lugar de respeito e credibilidade. Como disse, tenta-se 
por no papel aquilo que na prática já existe e só precisa ser observado


Vejamos pois que normas, que códigos devemos observar:
1.     É imperativo que dentro da Umbanda e dos Cultos Afro-brasileiros, 
todos estejam preocupados em manter a tradição religiosa e cultural de seu grupo, 
sem misturas e enxertos, sem junções e adições absurdas e desastrosas e que estas
 mesmas religiões deixem de se preocupar apenas com a parte litúrgica, para também 
se dedicarem ao bem-estar das pessoas, da comunidade como um todo, do país,
 do mundo, e também que esteja sempre presente a preocupação na preservação
 do meio ambiente, lembrando que somos uma religião ecológica por excelência.
2.     Precisamos aprender a respeitar a nação do outro, pois todos os segmentos
 têm origem em comum na Mãe África, cultuam Orixá, Vodun, Nkissi, Bacuro,
 Encantados e Guias que são muito queridos e amados por seus adeptos.
 O desrespeito à liturgia e ao ritual de cada um incorre num grande mal 
para toda a comunidade afro-brasileira.
3.     Precisamos ter respeito com os mais velhos, com os Agba da religião, 
com nossos ancestrais. Vê-se hoje em dia pessoas novas chamando a atenção 
e querendo ensinar os mais antigos. Se os mais velhos não souberem nada,
 o que diremos dos novos? Pensamos que se precisa de entendimento e 
muito diálogo entre as gerações a fim de se tirar o melhor proveito.
 Mas tudo com seriedade e dignidade.
4.     Em todos os grandes eventos (Congressos, Seminários, Encontros etc.), 
deve-se ter um Cerimonial adequado para se ver "quem é quem", dando-se
 as devidas precedências e evitando-se constrangimentos ao se destacar,
 por exemplo, um filho em detrimento de seu pai. É anti ético.
5.     Nas festas religiosas (Toques), devemos nos preocupar com nossos 
convidados e dar-lhes a atenção devida, também fazendo com que todo 
o Egbé saiba se portar e respeitar. É desagradável chegarmos a lugares
 onde muitos torcem a cara e ignoram aqueles que com carinho ali estão 
para prestigiar e participar.
6.     Urge que conversemos com nossos Sacerdotes e adeptos para que não
 confundam religião com "questões sexuais". Graças à Avievodum, Olodumare, 
Zambiapongo, temos uma religião liberal que não nos castra. Entretanto, muitos
 aproveitam-se de seus cargos e postos para desfilarem frustrações sexuais e 
travestirem nossa Religião colocando-nos em descrédito perante às autoridades
 e à própria sociedade;
7.     Devemos lutar pela união sincera e verdadeira das pessoas interessadas 
na preservação dos nossos segmentos religiosos. A discórdia, a desunião,
 a intriga só enfraquece a própria religião. Cada um deve fazer sua parte, 
com critérios, com seriedade, com dignidade. Não devemos nos ver como


 concorrentes mas como membros unidos de um mesmo corpo. Precisamos
 acabar com a idéia de que um é melhor que o outro. Para nossos Deuses somos
 todos iguais. Será, por exemplo, que meu Vodum Toy Azonce só gosta de mim 
e não gostará de outros seus filhos? Será que Odé, Oxósse, Águè só ama um filho 
e esquece os outros? Não, certamente que não, o problema é individual, é pessoal,
 é falta de boa formação, de bom berço;
8.     Vamos lutar para que os Congressos sejam fórum de grandes decisões, 
de momentos de verdadeiras reflexões, de congraçamentos, de bons e
 felizes reencontros e não que deixemos nossos lares para nos virmos 
nos degladiar. Não devemos confundir pontos de vista diferentes com 
geração de ódio. Isso não é ético;
9.     Vamos valorizar com toda sinceridade as diferentes formas tradicionais 
dos cultos afros. Lutemos por uma união e não por uma unidade.
 Daí o lema da INTECAB que é a "união na diversidade";
10. Resgatemos a língua de cada culto e devemos usar nossos títulos corretamente. 
Jamais deve-se estimular o absurdo, a invencionice, títulos inadequados. 
Por exemplo: não é ético chamarmos uma Sacerdotisa de Umbanda de Iyalorixá
 pois esta não foi iniciada e nem inicia ninguém. Seu grande valor está em ser
 uma Dirigente Espiritual, uma digna Babá de Umbanda sem nenhum demérito 
de seu potencial espiritual e material;
11. Todos temos o dever de recusar a efetivação de rituais religiosos que
 firam sua tradição de origem e sejam contrários aos ditames de sua consciência;
12. É de suma importância zelar pela dignidade da tradição e cultura 
Afro-brasileira em todos os seus níveis de desdobramentos, sendo este 
o papel preponderante de todos os verdadeiros Sacerdotes;
13. Somos todos tradicionalistas: da Umbanda, do Kêtú, do Mina Jêje,
 do Ifon, da Angola, do Jêje Mahi, do Omolocô, do Nagô Egbá, do Alakêtú,
 do Mina Nagô, da Encantaria, da Tradição de Orixá ou do Fanti-Ashanti,
 desde que sigamos nossos rituais e costumes legados por nossos antepassados. 
Esta é uma postura ética que precisa ser levada em conta;
14. A exploração que alguns sacerdotes fazem com seus filhos é imoral,
 antes de ser ética, e precisa de grandes reflexões. Tenta-se criar a idéia
 de que quanto mais dinheiro, mais axé, e assim torna-se comércio. 
Cobrar "salva" ou chão" é entendido como axé, mas exploração é caso de polícia;
15. Outro tema polêmico e delicado diz respeito a quebra de tabus religiosos,
 incluindo-se nestes os relacionamentos sexuais entre pais e filhos de uma 
mesma casa. Comete-se o incesto;
16. Finalizamos abordando a questão do "Jogo de Búzios" antes exercido
 somente por grandes e sábios sacerdotes e sacerdotisas, de forma extremamente 
sagrada, e hoje feito em praças públicas, viadutos, feiras esotéricas, shoppings,
 sem falar no "disque búzios" e "0900", que tanto entristecem os tradicionalistas.
Eu Iyá Carmen S. Prisco de Oromilade tenho a dizer que, se cada um de nós não 
criarmos normas de conduta ética pessoal para preservar nossas nações, nossas
 divindades e nossas manifestações de matriz africana, não vamos ter uma religião,
 não vamos ter uma identidade religiosa nem cultural, não vamos ser nada...nem ser
 respeitados por nada.
Ser nada e viver no gueto foi o que fizemos até a pouco tempo, porisso não e justo
 nem certo que nossas conquistas se percam na vaidade de alguns ou na ingenuidade 
de achar que nossos Orisas nos dão a credibilidade de que precisamos.
Somos nos que fazemos nossas religião...
Nossa religião merece nosso respeito!
Asè ò, mojubá irmãos!



fonte : orayeye.spaces.live.

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